domingo, 22 de maio de 2011
Kelsen Bravos: Profissão professor
Kelsen Bravos: Profissão professor: "Na mitologia grega um titã roubou o fogo dos deuses para disseminá-lo entre os mortais. Por essa solidária ousadia o titã Prometeu foi conde..."
Depoimento da Professora Amanda Gurgel RN, uma belíssima representação da luta da classe pelo reconhecimento da Educação no Brasil.
sábado, 14 de maio de 2011
Se eu fosse eu...
"Quando não sei onde guardei um papel importante e a procura se revela inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase "se eu fosse eu", que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar. Diria melhor, sentir.
E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser levemente locomovida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas, e mudavam inteiramente de vida. Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua porque até minha fisionomia teria mudado. Como?não sei.
Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho, por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo o que é meu, e confiaria o futuro ao futuro.
"Se eu fosse eu" parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido. No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teríamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos enfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor, aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar. Não, acho que já estou de algum modo adivinhando porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais".
Clarice Lispector
terça-feira, 3 de maio de 2011
O ENSINO DA GRAMÁTICA HOJE
Existe, na atualidade, certa inquietação por parte de pesquisadores e docentes da língua portuguesa, quanto ao tipo de gramática a ser ensinado na escola. Observa-se, através da leitura de textos sobre o assunto em estudo, que existem argumentos polêmicos sobre o ensino da língua materna, qual o tipo de gramática ensinar e divergências sobre a necessidade de ser ensinada na escola a língua padrão.
Pretende-se, neste texto, fomentar uma análise acerca do ensino da gramática, na atualidade, praticado nas escolas brasileiras, sejam elas públicas ou particulares. Para tanto, primeiramente, faz-se necessário buscar o conceito de gramática e, logo após, avaliar quais os objetivos da escola, no que concerne ao ensino da língua materna.
Travaglia (1996, p. 24) assegura a existência de três visões que estabelecem a definição de gramática: a primeira é a Gramática Normativa, um conjunto sistemático de regras estabelecidas pelos especialistas, com base no uso da língua, consagrado pelos escritores clássicos, para reger o falar e o escrever bem; a segunda é a Gramática Descritiva, um conjunto de regras que o cientista encontra nos dados que analisa, à luz de determinada teoria e método; a terceira é a Gramática Internalizada ou Implícita, segundo a qual a língua é um conjunto de variedades utilizadas por uma sociedade, na qual o usuário estabelece um acordo tácito.
A Gramática Normativa, ensinada atualmente na escola, assume uma forma prescritiva em relação à língua e desconsidera outros aspectos do uso da mesma, negando assim a possibilidade de variações no uso da língua, de acordo com as diferentes situações comunicativas, e os fatores que nela interferem, como os socioculturais, geográficos, entre outros.
A escola, ao utilizar a Gramática Normativa, supervaloriza o dialeto padrão, fortalece as classes sociais dominantes e repassa a visão distorcida de que o estudo da língua portuguesa resume-se a uma infinidade de normas que, na realidade, não prepara o aluno para o uso proficiente da língua, sendo este o objetivo principal do ensino da língua materna na escola.
Bagno (2000, p. 87) explana que:
Com a instrumentalização da Gramática Normativa em mecanismo ideológico de poder e de controle de uma camada social sobre as demais, formou-se essa ‘falsa consciência’ coletiva de que os usuários de uma língua necessitam da Gramática Normativa como se ela fosse uma espécie de fonte mística da qual emana a língua ‘pura’. Foi assim que a língua subordinou-se à gramática.
Portanto, entende-se que ao buscar a uniformidade da língua, através do ensino da Gramática Normativa, a escola nega as diferenças sociais e ideológicas existentes na sociedade, fortalecendo o preconceito linguístico e, através da imposição do uso da língua culta, fortalece a segregação social e cultural.
Quanto aos objetivos da escola, no que diz respeito ao ensino da língua materna, Possenti (1997, p. 17) diz que: “ é ensinar o dialeto padrão, ou seja, criar condições para que ele tenha uso efetivo”. Diz ainda que há a necessidade de distinguir o papel da escola do papel da gramática e que o domínio da língua e o domínio da gramática são coisas distintas ente si.
Apreende-se, portanto, que a elucidação dessas relações, ainda ignoradas por muitos educadores, seja o maior desafio da escola brasileira do século XXI e a mola propulsora para reformular a metodologia do ensino da língua portuguesa, ainda hoje embasada de maneira restrita e equivocada ao ensino da gramática, com o objetivo de transformar as aulas em momentos críticos e reflexivos sobre a língua, para a aquisição de habilidades linguísticas e o desenvolvimento da competência comunicativa dos aprendizes, ou seja, da capacidade de uso adequado da língua nas diversas situações de interação comunicativa.
É certo que é imputado à escola o ensino da língua padrão, pois o seu domínio por parte dos discentes, isto é fato notório, é necessário. Contudo, é incontestável a urgência da criação de alternativas eficazes para o ensino da língua portuguesa nas escolas, considerando as variedades socioculturais dos falantes e o caráter mutável da língua, para promover a erradicação deste modelo de ensino elitista, excludente e conservador das escolas brasileiras, que coaduna com o fortalecimento das classes sociais dominantes.
Não se trata de abolir das escolas os conteúdos relativos à gramática e ao ensino da norma padrão, mas de atribuir-lhes sentido, através de um estudo contextualizado e funcional, com propostas de atividades diversificadas de leitura e escrita, que contemplem os diversos gêneros e apresentem as variadas formas de comunicação entre os falantes da língua, eliminando a visão distorcida e meramente prescritiva do ensino da língua.
Finalmente, cabe à escola contemporânea difundir, entre os alunos, não somente as normas da língua padrão, mas as inúmeras formas alternativas de comunicação, ou seja, o caráter heterogêneo da língua, valorizando as diferentes realidades socioculturais e históricas existentes no Brasil.
REFERÊNCIAS
BAGNO, Marcos. Dramática da Língua Portuguesa. São Paulo; Loyola, 2000.
POSSENTI, S. Por que (não) ensinar a gramática na escola. Campinas; Mercado das Letras, 1997.
TRAVAGLIA, L.C. Gramática e interação: uma proposta para o ensino de gramática no 1º e 2º graus. São Paulo: Cortez, 2002.
Ana Quesado Sombra
Ana Quesado Sombra
SUGESTÃO DE ATIVIDADE DE INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
"OS DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES"
Leia o fragmento do texto:
Pedrinho explicou ao Visconde os seus planos de nova viagem pelos tempos heróicos da Grécia Antiga. “Vamos nós três, eu, você e a Emília.” (…) — Que quantidade de pó quer? — indagou o Visconde. — Um canudo bem cheio. O pó de pirlimpimpim era conduzido num canudinho de taquara do reino, bem atado à sua cintura. Ele tomava todas as precauções para não perder o precioso canudo, pois do contrário não poderia voltar nunca mais. Mas como em aventuras arrojadas a gente tem de contar com tudo, o Visconde sugeriu uma idéia ditada pela prudência. — O melhor é levarmos três canudos, um com você, outro comigo e outro com a Emília. Desse modo ficaremos três vezes mais garantidos. (…) No terceiro dia pela manhã já tudo estava pronto para a partida. Pedrinho deu uma pitada de pó a cada um e contou: Um… dois e … TRÊS! Na voz de Três, todos levaram ao nariz as pitadinhas e aspiraram-nas a um tempo. Sobreveio o fiun e pronto. Instantes depois, Pedrinho, o Visconde e Emília acordavam na Grécia Heróica, nas proximidades da Nemeia. Era para onde haviam calculado o pó, pois a primeira façanha de Hércules ia ser a luta do herói contra o leão da lua que havia caído lá. O pó de pirlimpimpim causava uma total perda dos sentidos, e depois do desmaio vinha uma tontura da qual os viajantes saíam lentamente. Quem primeiro falou foi Emília: — Estou começando a ver a Grécia, mas tudo muito atrapalhado ainda… Parece que descemos num pomar… (…) LOBATO, M. Os Doze Trabalhos de Hércules. São Paulo: Brasiliense, 19ª edição, 1995.
Após a leitura do fragmento do texto, responda:
- Qual o nome dos personagens que aparecem na história?
- Qual o local onde os personagens estavam e para onde eles foram?
- O que os levou até lá?
- Quem elas encontrariam nesse lugar?
- Qual dos personagens ficou responsável pelo pó de pirlimpimpim?
- O que poderia acontecer se eles perdessem o pó de pirlimpimpim?
- O que os personagens fizeram para evitar perder o pó?
- Quando eles aspiraram o pó de pirlimpimpim, o que sentiram?
- Dos doze trabalhos de Hércules, qual deles os personagens iriam presenciar?
- De acordo com os seus conhecimentos prévios, você acha que Hércules conseguiu derrotar o leão? Por quê?
- Identifique e marque os verbos existentes nos trechos abaixo:
a) Pedrinho explicou ao Visconde os seus planos de nova viagem pelos tempos heróicos da Grécia Antiga. b) Vamos nós três, eu, você e a Emília. c) O pó de pirlimpimpim era conduzido num canudinho de taquara do reino (...). d) No terceiro dia pela manhã já tudo estava pronto para a partida. e) Pedrinho deu uma pitada de pó a cada um e contou: Um… dois e … TRÊS! f) Instantes depois, Pedrinho, o Visconde e Emília acordavam na Grécia Heróica (...). g) O pó de pirlimpimpim causava uma total perda dos sentidos, (...). h) Quem primeiro falou foi Emília. i) Estou começando a ver a Grécia, (...). j) Parece que descemos num pomar…
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